O atual contexto não significa que as famílias devam adiar a decisão de comprar casa. Significa, isso sim, que essa decisão deve ser cada vez mais informada.
Comprar casa é uma das decisões financeiras mais importantes na vida de uma família. E, num momento em que o mercado imobiliário continua a registar novos máximos, esta decisão exige uma análise cada vez mais completa. O preço do imóvel é, naturalmente, determinante, mas não pode ser analisado de forma isolada: o custo do crédito é hoje uma parte igualmente importante da equação. Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram isso mesmo. Em agosto, o valor mediano da avaliação bancária da habitação atingiu 2.254 euros por metro quadrado, um novo máximo nacional, depois de uma subida de 14 euros face a julho. Em termos homólogos, o aumento foi de 14,7%.Estes números confirmam uma tendência que temos acompanhado no mercado: encontrar uma casa adequada às necessidades e capacidade financeira de uma família é um desafio que vai muito além de identificar um imóvel e negociar o seu preço. É necessário perceber quanto custa efetivamente financiar essa compra! A combinação entre preços elevados da habitação e financiamento mais caro coloca uma questão essencial: qual é, efetivamente, o esforço financeiro que uma determinada compra representa? Uma casa de 250 mil euros não representa apenas 250 mil euros. Para uma família, é necessário considerar a entrada, impostos, custos associados à aquisição, seguros e, sobretudo, o custo do financiamento ao longo de várias décadas. Pequenas diferenças na taxa de juro ou no prazo do empréstimo podem traduzir-se numa diferença significativa no custo total. Por isso, a decisão de comprar casa deve começar antes da procura pelo imóvel. Definir um orçamento realista, conhecer a capacidade de financiamento e perceber qual o esforço mensal que é possível suportar são passos fundamentais para evitar que a aquisição se transforme numa pressão excessiva sobre o orçamento familiar. Também não devemos esquecer quem já tem crédito à habitação. A evolução das taxas de juro justifica uma revisão periódica das condições contratadas e uma comparação das alternativas disponíveis. O mercado de crédito não é estático e uma solução adequada num determinado momento pode deixar de ser a mais ajustada alguns anos depois. Um exemplo ajuda a perceber o peso desta parte da equação. Na compra de uma casa de 250 mil euros, com um empréstimo de 225 mil euros, pelo prazo de 30 anos, em taxa variável indexada à Euribor a seis meses e com um spread de 0,8%, a revisão de setembro fez a prestação passar de cerca de 942 euros para cerca de 1.012 euros por mês. São mais cerca de 70 euros todos os meses, pela mesma casa, só por efeito de seis meses de subida da Euribor. Por isso hoje há uma tendência na procura de uma taxa mista que garante a mesma prestação durante um determinado período. O atual contexto não significa que as famílias devam adiar a decisão de comprar casa. Significa, isso sim, que essa decisão deve ser cada vez mais informada. Existe muita informação disponível ao consumidor, no entanto ser acompanhado por um profissional da área ajuda a tomar decisões mais conscientes. Durante muito tempo, a pergunta central foi “quanto custa esta casa?”. Hoje, é necessário ir mais longe: quanto custa esta casa, quanto custa financiá-la e qual será o impacto dessa decisão no orçamento familiar ao longo do tempo? Num mercado em que o preço por metro quadrado continua a subir, compreender esta equação pode ser tão importante como encontrar o imóvel certo. Diretora Coordenadora Nacional Adjunta da DSI CRÉDITO